O essencial permanece

Há coisas que não se explicam.
Se reconhecem.

A mão sabe antes dos olhos.
O corpo assenta antes do pensamento.
Uma peça verdadeira não pede atenção,
ela já pertence ao espaço,
como se sempre tivesse estado ali.

Trabalhamos a madeira até que ela responda.
O tecido, até que ele receba.
A curva, até que ela acolha o corpo sem que ele perceba.

Não perseguimos o novo.
Perseguimos o que permanece depois que o novo passa.

Porque o tempo não gasta o que é essencial.
Aprofunda.

A madeira ganha história.
O couro ganha memória.
E a peça, que já era bela, passa a ser sua.

Não fazemos móveis para preencher a casa.
Fazemos o que a casa guarda.

O supérfluo passa.

ELLE ELLE
O essencial permanece.